Archives for posts with tag: obama

Um post que publiquei no Sim Viral, passou batido pelos leitores acolá e que não deve fugir do mesmo destino aqui. Parte minúscula do que vi na Campus Party, sem todo aquele molejo gonzo de outrora, é verdade… mas acontece! Talvez eu me presenteie com uma categoria chamada “Bundamolismo”. Quem sabe?

Agora: Som na caixa, DJ!

Onze entre dez publicitários do mundo tem a campanha do Obama à presidência como um case a ser imitado, replicado, estudado e idolatrado. Idolatria que às vezes chega a transbordar questões meramente analíticas do case em si e lambem perigosamente o âmbito político. Como se além de manjar de comunicação, Obama e a sua trupe também fossem mártires de um novo milênio voltado à sustentabilidade e às relações internacionais livres de rusgas e inconseqüências.

Semana passada, no Campus Party, Scott Goodstein – um dos coordenadores da área de internet da equipe – esteve no palco principal do evento falando um pouco do uso das redes sociais na campanha. Nada que não tenhamos lido nas centenas de blogs que falam desse nosso agitado mercado. Algumas frases relevantes, alguns vários números impressionantes. Aquela coisa de sempre.

Mas o que me marcou mesmo foi o momento em que ele comentou como conseguiu o direito de utilizar o rosto do presidente estilizado por Shepard Fairey durante o levante obamístico (ou barackiano).

Lembrei de um texto do site do artista publicado no dia 28 de dezembro em que o mesmo comenta o quão decepcionado estava depois desse um ano do presidente no poder. Shepard, o cara que há duas décadas atrás consolidou o sticker como manifestação artística com o seu Obey Giant e que inspirou milhões de pessoas com apenas uma imagem, decepcionado com as promessas não cumpridas e com a falta de coragem do seu objeto de arte.

O que me chama a atenção é que depois do ícone ganhar o mundo como avatar, widget, cartaz, quadro e tudo o mais, representando toda a esperança global de que as coisas poderiam ser diferentes, o artista se vê quase sem voz pra dizer ao mesmo mundo que não tem concordado muito com como as coisas vem sendo conduzidas. Uma mensagem que, se comparada à campanha de Obama, não ganha escala sem milhares de pessoas mobilizando intenções e uma máquina estratégica direcionada a convencer o(s) povo(s) do discurso de mudança.

Parece até que o artista está experimentando do seu próprio veneno, sem conseguir avisar ninguém disso.

Imagem do blog Talk2.

E aí tem esse ferinha que escreveu o discurso de ontem do Baraquis. Sim, porque se o Nizan pode abusar da sua senilidade e bolar um axé vergonha alheia grudando com sujeira de nariz a posse do negão e o nosso carnaval, eu me dou o direito de chamar o presidente do mundo até de “cumpádi”, ah! se me dou. Jon Favreau tem 27 anos, um jovem mancebo que com esse feito desqualifica um bom número de pessoas que nessa idade ainda não saíram da casa dos pais.

Mas o que realmente impressiona a moçadinha não é a sua breve existência e a carga brutal de responsabilidade embutida na tarefa de convencer milhões de fodidos que tudo ficará bem, algum dia que seja, tomara.

O que se vê, se lê e se ouve com um destaque esquisito é que o discurso foi feito num Starbucks (!!!) qualquer.

E se ele estivesse criando num banheiro, como seria?

E se ele tivesse criado num banheiro, como seria?

Grandes compositores, poetas, escritores e personalidades produziram conteúdos magistrais e revolucionários em botecos mais sinceros e, de quebra, com uma política de preços bem mais justa que a boutique de cafés gringa. Produziram o tanto quanto ou mais, arrisco um chute. E com bem menos, arrisco outro.

Mas tudo bem, mas tudo certo. Não basta ele ser bom com as palavras. O João é de fato muito descolado! Só falta confirmarem que ele redigiu o falatório num MacBookAir, que avisou o Obama sobre a finalização do job pelo Twitter, que seus pais (ou mães) são homossexuais e que ele usa ecobags quando vai ao super no fim de semana.

Aí sim teremos a nossa redenção.

Via Wooster Collective.

Escreveria maravilhas sobre o vídeo e o alcance das idéias do marketing do Obama – como até já fiz em outras oportunidades. São sinceras e honestas minhas opiniões, todas exclusivas sobre a sua campanha. Mas sem o compromisso com o ofício, devo confessar aqui que na verdade Obama é meio Coca-Cola pra mim. Irrita-me o fator inquestionável que ele deixa subentendido naquele sorriso brilhante. Nego no interior do mundo (Brasil) torceu por ele, na esperança que o cara teria a manha de resolver todos os problemas do planeta! Ninguém é tão bom assim, ninguém é tão legalzão!

Assim sendo, devo dizer, gozando das minhas altas posições na meritocracia informal da internet, que o senhor Shepard Fairey caiu no meu conceito, ah! caiu sim. Quer dizer, ele é um baita artista, que fez história e será eternamente referência pra quem curte expressões artísticas marginais. Mas não imaginei que ele levaria tão a sério um momento que me parece, no fundo, politicamente estéril e turvo pela chuva de confetes que paira no ar. O que eu espero de um artista de rua é um mínimo de rebeldia e questionamento. A embalagem é linda, o cartaz é perfeito e autoral, a imagem memetizou-se, bem como toda a campanha do negão…

Mas só eu não vejo esse céu tão azul e estrelado?

Que o Banksy continue anárquico e não me decepcione:

Frase do Banksy, 2005

(Retirado da Revista Piauí, nº 26)