O YouTube resolveu acatar a mais uma daquelas decisões que mostram que o mundo real da indústria do entretenimento, não sem muita razão, pouco liga para divulgação gratuita dos seus artistas. Nego quer sentir o cheiro das verdinhas e quer isso no curto prazo.

Resumindo, acabou uma parte da festa da cultura remix colaborativa, clima hypado que na teoria justifica a utilização de músicas para embalar milhares de vídeos, mas que lá no final, não colabora com um tostão se quer aos detentores dos direitos autorais do conteúdo em questão. Até pairou no ar um clima de revolta e decepção. Alguns esperavam do site um pouco mais de culhões e espírito materno – ao mesmo tempo – na hora de defender os interesses dos usuários.

O legal mesmo é que ao largo dessa polêmica que atinge o MUNDO, caminham pelas zonas periféricas do site várias outras culturas da web 2.0 e do mashup que nem se preocupam em entender ou saber sobre os termos que supostamente as definem. Algumas delas brincam faceiras com o dedo na boca, munidas de uma centena de mp3″ses” (ou CDs piratas), do Google Images e de alucinantes efeitos de transição do Power Point.

Esse, por exemplo, é um clipe da banda Pixote, feito pela fã Júlia e divulgado principalmente no Orkut. Cinco milhões trezentos e oitenta e oito mil oitocentas e dezessete visualizações. Todas longe das garras das gravadoras e dos satélites do YouTube. Mais que isso, longe dos nossos apurados gostos musicais e estéticos, que orfãos de alguns vídeos agora podem apreciar juntinhos o refrão:

“Por favor, diz que vai voltar pra mim. Telefona nem se for pra dizer que acabou. Já não posso mais viver… Não aguento mais sofrer… de amor.”