Demitindo da sua vida a nova onda que os menos ortodoxos apelidaram de Morrer à Ulysses, Roberto Justus agora decidiu arriscar numa nova forma de monetizar a própria vida, mais especificamente trabalhando o branding do seu programa O Aprendiz.

Diferente dos merchans que saltam a tela entre um esporro do empresário bem sucedido aqui, e uma lição de vida do multifacetado artista acolá, a idéia agora é vender os pacotes turísticos de um episódio do programa que será gravado num cruzeiro. O grande diferencial é pode beliscar um pouquinho do clima de set, só que num transatlântico e com o plus de acompanhar palestras empolgantes e motivadoras, como a imperdível “As 10 maiores lições dos mais vendidos Pai Rico, Pai Pobre e Quem mexeu no Meu Queijo”. Você pode jogar um mini-golfe, e depois se esbaldar com uma discussão de grupo sobre Marketing de Experiência no deck. Curtir um drink à Obamas$40 e se acabar num workshop sobre como enfrentar a crise usando a Inteligência Emocional.

Cruzeiro Aprendiz

Bem a verdade é que empresário-cantor-modelo-manequim-e-atriz criou um mix explosivo que funde diversos sonhos recém chegados na mentalidade da classe média brasileira. Um novo “brazilian way of life” que prega o ascender socialmente às custas de uma participação num reality show ou da conquista de um papel para chamar de diploma – ou um MBA para chamar de qualificação. O cruzeiro é só o toque do artista para arrematar, financiado em 36 vezes ou num consórcio desses de 10 anos. A cereja brilhante e suculenta na fatia do bolo de fubá.

Porque voar de avião é uma forma digna de percorrer longas distâncias e às cucuias a comida que servem e o tratamento não mui amigo oferecido pelos comissários de bordo de algumas companhias aéreas. Que venham os preços cada vez menores! Já os cruzeiros equilibram-se naquela linha bamba que divide o luxo da cafonice, só perdendo para decoração com chão quadriculado – quando você não tem a desculpa de ser vintage – e fontes com estátuas gregas cuspindo água – quando decide colocá-la no meio da sala, e não no jardim.

O que um dueto dos Robertos (Justus e Carlos) representa pra você, a nível de música brasileira?

Seguindo, é possível resumir um transatlântico como bingos enormes que flutuam para mostrar as plumas e quartos que mais parecem os do Hotel Formule 1 para descansar a busanfa. De brinde, longas paradas nos nossos esterilizados portos brasileiros. Um prêmio digno para aqueles que estão na árdua escalada da pirâmide social.

Fato é que esse suntuoso filão do turismo conquista novos nichos a serem explorados, como o que já vem acontecendo com os siliconados e bombados que cursam medicina, apreciam uma gama infinita de psicotrópicos caros e sutilmente namoram com o suicídio a cada baladinha. Vislumbra-se agora um novo share. Estudantes de administração que adoram todo e qualquer tipo de curso que agregue valor a própria vida, estão sempre enfiados em pirâmides Herbalife de marketing multi-nível e acreditam no emilhonariamento a curto prazo. Diversão desmedida e irresponsável na veia.

Para esse pessoal, só fica proibido desapertar o nó da gravata ou sair do salto-alto pelos corredores. Caso contrário, é só passar no RH do navio. “Você está demitido!”