Essa igreja católica é um barato.

Respeito, é claro, o seu passado de mal com a vida, onde a instituição fazia e acontecia. Saiu ilesa de pisadas na bola que deixam Guantánamo e a Guerra no Iraque no chinelo. Na comunicação, promoveram um grande trabalho com o Livro Sagrado, dizimando culturas pagãs, aglutinando crenças e pintando e bordando em cima das fontes originais.

Mesmo assim, a sua influência só diminui no passar dos séculos – e caindo. Meninas engravidam com 13 anos. A Parada Gay de São Paulo não tem hora para acabar. A TV Record está aí, toda prosa, mais do que nunca – e subindo.

Hoje em dia, a única relevância do Vaticano no mundo é o seu exercício costumeiro da “opinologia”. Usam a mídia como um anjo mensageiro, repassando através dela os seus pitacos edificantes sobre catástrofes ou gafes de personalidades políticas. Indignar-se em linhas tortas (“a Igreja sente a morte das vítimas e clama por um acordo de paz”) é a única coisa que ela tem feito ultimamente. Pra quem comandou inquisições, negou a ciência, enriqueceu às custas dos outros e beatificou assassinos, servir de Arnaldo César Coelho do planeta, palpitando apenas na hora do impedimento, mostra que algo errado não está certo.

E mesmo assim não hesitam em continuar a sua saga rumo à insignificância total. Agora querem propor uma caça às Redes Sociais, algo que só o governo chinês teria competência de executar.

Bento XIV

“Eu e o sócio fundador da agência viral XxxX, fechando negócio. Virei blogueiro!”. Essas coisas você não encontra no inexistente blog corporativo do catolicismo.

Isso posto, é possível sublinhar diversos erros estratégicos da área de social media Papal que provavelmente desencadearam nesse comportamento de “pregado na cruz” diante das benesses da Web 2.0. De começo, Bento XVI não administra um blog corporativo, perdendo a oportunidade de entrar em discussões edificantes com pessoas prontas para questionar, por exemplo, o uso da camisinha entre os não tão fiéis. Outra: a Bíblia, que tem na sua essência o colaborativismo, já poderia ter sido disponibilizada online, no formato de Wiki.

É de se questionar também a falta de ousadia na hora de investir em inovadoras ferramentas de distribuição de música. O padre Fábio de Melo (o Marcelo Rossi da nova geração) até tem blog, mas ainda não cuida de um perfil cheio de amigos e ouvintes no MySpace.

Indo fundo no tema – sentindo um calorzinho esquisito -, por que a missa do Galo não coloca no ar um livestream do Blogblogs?

Finalizando, ainda existe esperança em Jesus Cristo. Levando em conta a história manchada de sangue da Igreja Católica, ele caminha onipresente – viralizando amor – de encontro aos pensamentos reprimidos e conservadores do Vaticano na rede. Está provado de que nem ele liga para os dogmas da internet apostólica romana.

No mais, sem mais e até mais.

É difícil acreditar, mas a tentativa aqui é a de se fazer um blog cidadão, um blog notícia, um blog denúncia. Na humilde série de posts sobre o Campus Party, venho alertando as pessoas sobre o perigo de se participar do evento. O negócio é mais embaixo nesse lance de festa da tecnologia. Inexistem, nos tempos atuais, nerds indefesos, inofensivos e comedores de meleca.

Depois de dias expostos aos efeitos da bomba álcool mais banda larga altamente veloz, o ambiente do evento começa a tornar-se consideravelmente hostil e suspeita-se da existência de mulas traficando entorpecentes pesados dentro do galpão. Fora, as drogas que comandam são os salgados vendidos na área “Chiqueiro”.

Pro nariz, agora, é só pó branco que essa moçadinha quer.

Reparem, lá pelas tantas, no menino travesso do vídeo acima, que cultiva no cocuruto um artrópode de pelúcia qualquer sem um motivo lógico identificável (e quem está doidão precisa de motivos?). Depois de supostamente mandar vários tirinhos e sem dormir durante mil horas, o meliante encasqueta-se com o rapper/funkeiro (!!) carioca (!!!) que se apresentava no palco. Não satisfeito, chama pra briga um corintiano (!!!!!), numa evidente ausência de amor próprio que apenas os dependentes químicos mais hard users apresentam como sintoma. É muita coragem e muito desprendimento (!!!). É muito pó dentro da naga, doidera na cabeça e pontos de exclamação exprimindo terror(!!!!!!!).

O depoimento no final do vídeo só a medicina poderá explicar ao mundo um dia.

Menos mal, ainda não circulam notícias sobre o comércio do sexo, estupros nas barracas, masturbação coletiva nos chuveiros ou a armação de uma suruba generalizada – fato já comentado aqui antes. A ausência desse pilar fundamental da loucura, misturado ao uso de farináceos, explicaria vários comportamentos raivosos da galerinha que está sempre atrás de uma farinha, loucura, na pane. Mas ainda há esperança, ah, se há!, de que estes tranquinas experimentem a chance de se livrar do vício e de que já tenham usado preservativos alguma vez na vida. E que essa última não tenha sido desperdiçada fazendo bexiga d’água a fim de jogá-la num cara que é bobo, feio e malvado por não tocar Iron Maiden ou aberturas de desenho animado japonês.

Mas nem doeu. Vivenciei um coito interrompido. Fiquei algo em torno de duas horas por lá e quase não circulei. Não obstante, um alerta àqueles que ainda não vestiram plumas e paitês. Vale passar um marcador sobre alguns comentários que pipocaram:

1) 70% da diversão está sim na banda provida pela NASA, que transforma o galpão numa lan house de luxo gigante na maior parte do tempo;

2) É um ambiente ideal para a proliferação do network – algo que faço como se chupasse cana e assobiasse ao mesmo tempo. Socialização, pra mim, só a dos meios de produção;

3) Começo a duvidar que eventos de internet possam ter uma organização límpida e impávida. Se um dia eu não tiver problemas para me cadastrar, para registrar equipamento ou para achar um banheiro, vou chamar o gerente e reclamar. Afinal, um padrão deve ser mantido e eles parecem prezar bastante por isso;

4) R$3,50 a coxinha de ouro cravejada de diamantes.

Mas eu não tenho apenas comentários mezzo regulares mezzo ruins para falar de dentro do evento. Destilo meus impropérios também para um fator externo em especial.

Considerando que para ir ao trabalho eu utilizo ônibus e que de lá sai, no final do expediente, para a longínqua estação Jabaquara, fiz jus aos impostos que pago. Usei simplesmente todos os sistemas de transporte público disponibilizados ao cidadão paulista. Inclusive a até então desconhecida Ponte ORCA.

Um sinal do que seria a noite

Um sinal de que a noite não vingaria.

Já me convenci que não poderei acompanhar nenhum dos painéis que me interessavam, todos em horários impróprios para o trabalhador brasileiro. Pra mim, agora, resta checar amanhã o lançamento do livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música”, a fim de garantir meu exemplar, e sexta dar uma olhada em outras coisas fora do mercadinho. Já mocinho, final de semana, entre uma volta e outra, priorizarei e promoverei um estupro nunca antes visto aos limites do meu HD.

Mesmo assim, continuarei minha cobertura cara de pau do evento, tão gonza que não preciso nem estar presente para opinar e analisar. Transformei-me num comentarista de futebol que sempre é o último a ser escolhido na pelada do trabalho.

E aí tem esse ferinha que escreveu o discurso de ontem do Baraquis. Sim, porque se o Nizan pode abusar da sua senilidade e bolar um axé vergonha alheia grudando com sujeira de nariz a posse do negão e o nosso carnaval, eu me dou o direito de chamar o presidente do mundo até de “cumpádi”, ah! se me dou. Jon Favreau tem 27 anos, um jovem mancebo que com esse feito desqualifica um bom número de pessoas que nessa idade ainda não saíram da casa dos pais.

Mas o que realmente impressiona a moçadinha não é a sua breve existência e a carga brutal de responsabilidade embutida na tarefa de convencer milhões de fodidos que tudo ficará bem, algum dia que seja, tomara.

O que se vê, se lê e se ouve com um destaque esquisito é que o discurso foi feito num Starbucks (!!!) qualquer.

E se ele estivesse criando num banheiro, como seria?

E se ele tivesse criado num banheiro, como seria?

Grandes compositores, poetas, escritores e personalidades produziram conteúdos magistrais e revolucionários em botecos mais sinceros e, de quebra, com uma política de preços bem mais justa que a boutique de cafés gringa. Produziram o tanto quanto ou mais, arrisco um chute. E com bem menos, arrisco outro.

Mas tudo bem, mas tudo certo. Não basta ele ser bom com as palavras. O João é de fato muito descolado! Só falta confirmarem que ele redigiu o falatório num MacBookAir, que avisou o Obama sobre a finalização do job pelo Twitter, que seus pais (ou mães) são homossexuais e que ele usa ecobags quando vai ao super no fim de semana.

Aí sim teremos a nossa redenção.

Pelo pouco que tenho acompanhado do Campus Party, ainda sem nem dar o ar da minha desgraça, vejo que o evento tem tudo para transformar-se numa espécie de Amsterdã Tropical, só que bem menos descolada. Num calor que beira os 57 ºC – um convite à nudez e aos comportamentos descabidos -, os participantes estão procurando um pouco mais de diversão que a sonolenta distribuição de tapinha nas costas e uma explosão de variado entretenimento nos estandes dos patrocinadores, com gente bonita e zoneira, pronta para lhe enfiar mais um brindezinho inútil.

Pessoal da Robótica super gente boa!

O pessoal da Robótica é super gente boa!

– Fiquei sabendo que mesmo com a proibição das bebidas alcoólicas no recinto, simpáticos e descontraídos leilões garantem a alegria da moçada. Os valores não são os mais honestos, a precificação parece envolver a máfia. Mas a demanda e a oferta justificam-se: não conheço ninguém que tenha dormido bem numa barraca sem ter atingido um grau de alcoolismo considerável. Coerente.

– Outro fator que contribui para a anarquia é senhora banda disponibilizada pelos patrocinadores. Em poucos segundos os usuários podem baixar por completo programas gratuitos, jogos educativos, filmes edificantes, música clássica e uma gama infinita de conteúdo e entretenimento pertinente – coisas que todos deixam de lado para priorizar os três Ps que regem a internet: a putaria, a pirataria e a porradaria. Alguns ferinhas montaram um livestream sobre essa party paralela (toma essa, BlogBlogs). Esquema de terra sem lei, principalmente a lei autoral.

Por outro lado, ainda não há notícias e anúncios de meninas e meninos prostituindo-se, aceitando gadgets, celulares, câmeras ou posições em rankings de blogs em troca de sexo. Considero esse pilar da loucura totalmente aderente ao evento, levando em conta que uma das profissões mais antigas do mundo deve caminhar incólume até os tempos mais modernos, passando pelo sexo virtual, evoluindo com a cafetinagem online e ganhando novos suspiros com as tecnologias holográficas que batem a porta.

É a Telefônica pagando pelos seus pecados, patrocinando a Sodoma e Gomorra Nerd e investindo nos consumidores conscientes do futuro.

Via Wooster Collective.

Escreveria maravilhas sobre o vídeo e o alcance das idéias do marketing do Obama – como até já fiz em outras oportunidades. São sinceras e honestas minhas opiniões, todas exclusivas sobre a sua campanha. Mas sem o compromisso com o ofício, devo confessar aqui que na verdade Obama é meio Coca-Cola pra mim. Irrita-me o fator inquestionável que ele deixa subentendido naquele sorriso brilhante. Nego no interior do mundo (Brasil) torceu por ele, na esperança que o cara teria a manha de resolver todos os problemas do planeta! Ninguém é tão bom assim, ninguém é tão legalzão!

Assim sendo, devo dizer, gozando das minhas altas posições na meritocracia informal da internet, que o senhor Shepard Fairey caiu no meu conceito, ah! caiu sim. Quer dizer, ele é um baita artista, que fez história e será eternamente referência pra quem curte expressões artísticas marginais. Mas não imaginei que ele levaria tão a sério um momento que me parece, no fundo, politicamente estéril e turvo pela chuva de confetes que paira no ar. O que eu espero de um artista de rua é um mínimo de rebeldia e questionamento. A embalagem é linda, o cartaz é perfeito e autoral, a imagem memetizou-se, bem como toda a campanha do negão…

Mas só eu não vejo esse céu tão azul e estrelado?

Que o Banksy continue anárquico e não me decepcione:

Frase do Banksy, 2005

(Retirado da Revista Piauí, nº 26)

Saiu o 1º Happy Hour, podcast do SimViral, blog sobre tendências hypadas e publicidade online com o qual colaboro numa freqüência vergonhosa, atualmente. O tema, como não poderia deixar de ser, é o Campus Party, evento que vive na sua essência o antagonismo. Ora parece, tem gosto e É um evento de nerds, ora veste Camiseteria. Para compreender essa e outras esquizofrenias, irei quando possível até onde judas perdeu as meias e postarei gonzamente aqui o que eu achar interessante lá. A parte séria, relevante, responsável e comprometida com a minha profissão e o meu trabalho estará lá no SimViral.