Pelo pouco que tenho acompanhado do Campus Party, ainda sem nem dar o ar da minha desgraça, vejo que o evento tem tudo para transformar-se numa espécie de Amsterdã Tropical, só que bem menos descolada. Num calor que beira os 57 ºC – um convite à nudez e aos comportamentos descabidos -, os participantes estão procurando um pouco mais de diversão que a sonolenta distribuição de tapinha nas costas e uma explosão de variado entretenimento nos estandes dos patrocinadores, com gente bonita e zoneira, pronta para lhe enfiar mais um brindezinho inútil.

Pessoal da Robótica super gente boa!

O pessoal da Robótica é super gente boa!

– Fiquei sabendo que mesmo com a proibição das bebidas alcoólicas no recinto, simpáticos e descontraídos leilões garantem a alegria da moçada. Os valores não são os mais honestos, a precificação parece envolver a máfia. Mas a demanda e a oferta justificam-se: não conheço ninguém que tenha dormido bem numa barraca sem ter atingido um grau de alcoolismo considerável. Coerente.

– Outro fator que contribui para a anarquia é senhora banda disponibilizada pelos patrocinadores. Em poucos segundos os usuários podem baixar por completo programas gratuitos, jogos educativos, filmes edificantes, música clássica e uma gama infinita de conteúdo e entretenimento pertinente – coisas que todos deixam de lado para priorizar os três Ps que regem a internet: a putaria, a pirataria e a porradaria. Alguns ferinhas montaram um livestream sobre essa party paralela (toma essa, BlogBlogs). Esquema de terra sem lei, principalmente a lei autoral.

Por outro lado, ainda não há notícias e anúncios de meninas e meninos prostituindo-se, aceitando gadgets, celulares, câmeras ou posições em rankings de blogs em troca de sexo. Considero esse pilar da loucura totalmente aderente ao evento, levando em conta que uma das profissões mais antigas do mundo deve caminhar incólume até os tempos mais modernos, passando pelo sexo virtual, evoluindo com a cafetinagem online e ganhando novos suspiros com as tecnologias holográficas que batem a porta.

É a Telefônica pagando pelos seus pecados, patrocinando a Sodoma e Gomorra Nerd e investindo nos consumidores conscientes do futuro.

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